A Morte

04-12-2016 16:26

    Para escrever algo sobre a Morte, se faz necessário, tendo em conta a Lei Hermética da Polaridade, escrever algo sobre a Vida. Como vimos no artigo intitulado “O Poder”, a Lei da Polaridade pode ser descrita como: "Tudo é duplo, tudo tem dois polos, tudo tem o seu oposto. O igual e o desigual são a mesma coisa. Os extremos se tocam. Todas as verdades são meias-verdades. Todos os paradoxos podem ser reconciliados”. Entendemos que estes dois aspectos universais, Vida e Morte, caminham juntos, são similares à duas faces da mesma moeda.

    Nossas pesquisas indicam que a Morte do Corpo Físico corresponde ao desligamento energético do Corpo Humano, ou seja, a palavra Morte representa o momento em que o Corpo Físico é desligado da instância energética do Ser (ver “Corpos vibracionais do Ser” no artigo “O Poder”). A Morte do Corpo Físico, este de carne e osso, não significa Morte absoluta, ou seja, não corresponde ao desaparecimento do Ser que Somos. Nossas pesquisas indicam que o que morre são o Corpo Físico e a Personalidade.

    O Corpo Físico é alimentado durante toda a nossa vida pela instância energética do nosso Ser que, como vimos no artigo acima citado, compreende três corpos com vibrações distintas: Mental, Emocional e Vital. No momento em que dormimos, o corpo energético, comumente chamado pelos místicos de Corpo Astral (Emocional), ou mais recentemente, conhecido como Psicossoma (por uma linha de estudo da consciência atual e promissora), se desacopla do Corpo Físico, permitindo ao Corpo Vital energizá-lo. Quando acordamos, o acoplamento se restabelece e o Corpo Físico já se encontra recuperado e revitalizado.

    Por outro lado, o cérebro utiliza o tempo em que estamos adormecidos para fazer uma espécie de digestão mental-emocional. Com algum treino e perseverança, é possível capitar informações trazidas pelo Corpo Astral em sua experiência extracorpórea, processo que também ocorre enquanto o Corpo Físico está dormindo. Percebemos que é muito importante distinguir entre o que é digestão mental-emocional produzida pelo cérebro (sonhos) e a experiência lúcida em Corpo Astral. A experiência lúcida fora do Corpo Físico é extraordinária, rica em detalhes e segue uma lógica própria da dimensão vibracional.

    O processo de reentrada do Corpo Astral dentro do Corpo Físico cessa no momento da Morte Física, pois o vínculo entre os corpos é rompido. O Corpo Astral, então, recolhe todas as informações das células, registradas no sangue e demais líquidos do corpo, e mergulha dentro do ponto dimensional localizado no ventrículo esquerdo do coração, conhecido como Átomo Nous (nossa conexão vibracional com as instâncias superiores do Ser). Este mergulho realizado pelo Corpo Astral dentro do ponto dimensional do coração fica gravado no cérebro como uma espécie de túnel luminoso, fato que já foi descrito por diversas pessoas que passaram pela experiência conhecida como “Quase Morte”.

    A ciência ainda engatinha na investigação e compreensão da Morte do Corpo Físico Humano. Para a ciência tradicional, somente os fatos ditos materiais são verdadeiros e dignos de comprovação. Os fatos ditos espirituais fogem completamente à compreensão dos Humanos ligados à ciência, já que esta está limitada pelo paradigma científico atual, ou seja, nossa ciência da forma como se apresenta, só avançará neste assunto, que aqui tratamos, com uma quebra de paradigma. Os artigos que escrevemos têm como principal função trazer uma compreensão mais ampla do mundo a nossa volta, proporcionando a necessária e urgente quebra de paradigma da visão científica materialista atual. Nosso objetivo, a médio e longo prazo, é criar as bases da “Espiritualidade Científica”. No entanto, as bases desta nova ciência, ou deste novo paradigma consciencial, não serão centradas fora do Humano, como é a visão da ciência tradicional e sim, dentro de nós mesmos. Para a ciência, se algo não for detectado por aparelhos ou interpretado segundo seus conceitos fixados pelo paradigma vigente, não existe ou não merece ser estudado.

    Nossa experiência particular nos conduziu à quebra do paradigma materialista dentro de nós mesmos e na consequente utilização do nosso próprio corpo como instrumento de investigação dos mistérios da natureza. Certamente, um microscópio é um instrumento muito útil, imprescindível em alguns casos, assim como o é um telescópio, uma sonda espacial, os instrumentos de um laboratório, os veículos que criamos, enfim, toda tecnologia a nosso dispor atualmente. Existem outros incontáveis e maravilhosos instrumentos usados por todas as formas de ciência que nossa Humanidade produziu. Nosso argumento não significa descartar o que já existe, muito pelo contrário, tudo o que aí está é muito útil e necessário. Porém, entendemos que cabe um avanço, no sentido de despertar a consciência para outros padrões vibracionais existentes no Cosmos. Nosso corpo pode se tornar, com treino e perseverança, em um instrumento muito precioso de investigação dos padrões vibracionais ainda não detectados pelos instrumentos científicos atuais.

    Certamente, para nós, a Morte do Corpo Físico não é o fim, mas sim, apenas um momento de transição vibracional. Um momento no qual, como Ser que Somos, abandonamos um corpo denso para continuar conscientes e vivos em outro corpo mais sutil. Do ponto de vista vibracional, expandindo nossa percepção para o Ser como um todo em suas diversas instâncias energéticas e espirituais, poderíamos dizer que a Vida é contínua e eterna. Em nossa percepção, não é equivocado falarmos que temos apenas uma Vida, já que a Vida é um atributo do Ser eterno que Somos. As diversas encarnações Humanas seriam, portanto, nesta forma de ver, experiências do Ser utilizando um veículo físico, o que nós nos acostumamos a chamar de Corpo Humano e, a Morte, neste contexto, o instrumento do Ser para se desacoplar de forma definitiva de um veículo físico quando necessário.

    Por outro lado, como a personalidade do falecido também desaparece com o tempo, a pessoa que conhecíamos em vida, com seu estilo pessoal, jeito de falar e se expressar, hábitos, costumes, trejeitos, também morre. A Morte da personalidade da pessoa que conhecemos em vida não é instantânea, ou seja, no momento da Morte do Corpo Físico. A personalidade ainda acompanha o desencarnado por um tempo, até se dissolver por completo.

    Quando tinha vinte e poucos anos, passei por uma experiência que confirma a explanação acima. Um conhecido meu morreu em um acidente de carro. O veículo rodou várias vezes na pista, atingindo violentamente o meio fio. Com o impacto ele bateu a cabeça e quebrou o pescoço; a morte foi instantânea, disseram os médicos. Ele tinha acabado de passar no vestibular; foi um choque para todos. Um mês após o ocorrido ainda pensava bastante nele; foi quando tive autorização para visitá-lo. Em uma experiência fora do Corpo Físico, utilizando o Corpo Astral, me vi em um imenso jardim, todo gramado e muito bonito. À minha frente existia um prédio bem grande; percebi instantaneamente que se tratava de um hospital naquela dimensão de existência. Fui caminhando em direção ao prédio, quando a porta se abriu e meu colega da juventude surgiu e veio em minha direção, sorrindo. Abracei-o calorosamente e perguntei:

    - Oi, Fulano! (prefiro omitir o nome verdadeiro). Você sabe que morreu?

    Pareceu uma pergunta óbvia, mas queria saber se ele tinha consciência que não estava mais na dimensão física, ou seja, que tinha desencarnado.

    Ele respondeu prontamente:

    - Sim, sei sim!

    Aproveitei o momento para investigar mais sobre o pós-morte; comecei a questionar sobre como ele estava e que local era aquele.

    - Mas, me diga, como você está se sentido?

    Ele respondeu:

    - Me sinto bem, o pescoço ainda dói um pouco, mas estou sendo tratado neste local.

    Com esta informação, ele me confirmou o que já tinha intuído sobre o local a nossa frente. Entendi que ele permaneceria ali um pouco mais de tempo até superar o trauma de ter quebrado o pescoço. Interessante observar como as experiências vividas com o Corpo Físico permanecem como memórias, neste caso doloridas, após a morte. Caminhamos pelo jardim por algum tempo, ele vestia uma roupa bem comum, para um jovem na época: calça jeans e camiseta branca. Ao concluirmos nossa conversa, ele me pediu:

    - Avise minha família que estou bem!

    Sabia que a família dele estava muito abalada; seus irmãos choravam muito. Optei por não procurar a família naquele momento, depois perdi contato com eles.

    O princípio reencarnante é independente do Corpo Físico e da personalidade; ele segue dentro do Corpo Astral para uma estada em outros planos de existência, até ter condições de voltar a se manifestar em um novo Corpo Humano. Aqui cabe um importante esclarecimento que pude evidenciar em minha experiência sobre o pós-morte: o princípio reencarnante se fragmenta de acordo com a vibração produzida na experiência física, ou seja, partes extremamente densas e degeneradas acabam perdendo a condição de nascimento em Corpos Humanos e passam a viver como animais. Como exemplo, podemos citar pessoas extremamente ciumentas e que desenvolvem dentro de si uma vibração animal correspondente à do cachorro: quando dita pessoa morre, parte do princípio reencarnante nasce como lindos cachorrinhos, o restante se preparara para retornar ou reencarnar com Corpo Humano, porém, um Humano com fortes tendências animalescas ligadas ao ciúme e com um nível de consciência inferior.

    Podemos citar, ainda, pessoas que, durante a sua vida física, desenvolveram a cobiça ao extremo; parte da sua energia é projetada nas dimensões inferiores da natureza, chamada Tritocosmos, como estudamos em nosso último artigo intitulado “Cosmos”. Assim, parte do princípio reencarnante nasce como porcos. Isto vale para os diversos outros elementos densos que se manifestam atualmente na humanidade. Como conclusão deste processo, vemos as pessoas, gradativamente, vida após vida, encarnação após encarnação, penetrando mais e mais na vibração animal. Pelo que conseguimos estudar até o momento, é um engano achar que existe um “Deus” que diz: este vai para o céu e, este outro, vai para o inferno. Nossas experiências nas dimensões superiores e inferiores da natureza indicam que são nossas próprias ações que produzem as mudanças vibracionais em nosso interior, gerando, assim, uma fragmentação. O que ocorre depois corresponde apenas a uma adequação da parte fragmentada em relação à densidade vibracional que lhe corresponde.

    Existe o que nós podemos chamar de “ponto vibracional crítico” ou “energia limite crítica”, ou seja, um limite de exploração do princípio reencarnante no qual fica mais difícil o retorno a condição Humana. Quando um indivíduo esgota suas possibilidades energéticas, perde o direito de nascer como Humano e se torna um habitante do Tritocosmos, até que o seu próprio Ser o resgate. Para tanto, o Ser precisa preparar um novo Corpo Humano, capaz de canalizar energias com vibração superior. Este Humano devidamente preparado, nasce nesta dimensão física como qualquer outra criança. Porém, ao longo de sua vida busca intensamente canalizar adequadamente suas energias e se iluminar, tornando-se consciente da sua função. O objetivo básico de um Humano iluminado e espiritualizado é SER o salvador do seu povo, ou seja, das partes do seu próprio Ser, seus irmãos e irmãs que se densificaram vibracionalmente ao longo de inúmeras experiências físicas anteriores (vidas passadas). Em outras palavras, ele mesmo, considerando o Ser que “É”.

    Cada Humano pode se tornar o salvador do seu povo, ou seja, das suas próprias partes internas que afundaram nas infradimensões do Tritocosmos. O Humano preparado se veste com as energias e vibrações superiores do Ser que “É”, aceita o Cristo Íntimo e os Valores da Consciência, e começa o trabalho de Morte e Renascimento, em Vida! Estamos nos referindo agora não à Morte Física ou à perda do Corpo Humano, mas sim à Morte Psicológica ou Mística, fundamental em qualquer trabalho interno de ascensão espiritual.

    A Morte Mística ou Psicológica precisa ser bem entendida. Aqui, retornamos às primeiras linhas deste artigo: escrever algo sobre a Morte corresponde a escrever algo sobre a Vida. Quando optamos conscientemente por atuar na função de servir ao nosso Ser no sentido de nos tornarmos seres Humano capazes de canalizar as energias necessárias para realizar o resgate das nossas próprias partes internas, compreendemos a Morte Psicológica ou Mística. Cada atuação nossa em um passado, mesmo que remoto, precisa ser investigada e resgatada. Ao logo da nossa jornada de nascimentos e mortes, ocupando vários Corpos Humanos no Planeta Terra, desenvolvemos inúmeros elementos densos com aspectos e vibrações animalescas, que hoje nos escravizam violentamente, pois estão submetidos às leis inferiores, tais como descrevemos no artigo “Cosmos”. São partes nossas, que hoje habitam estas regiões inferiores do Tritocosmos.

    Como já citamos em artigos anteriores, existe uma região dimensional chamada Astral Inferior, que é uma cópia do mundo físico. Nesta região existem casas, cidades, locais de trabalho, tudo praticamente igual à dimensão física. Quando uma pessoa morre e não toma consciência da própria Morte, pode ficar presa por um tempo neste ambiente. Já outras pessoas que têm um pouco mais de consciência, despertam para esta experiência pós-morte e são encaminhadas a hospitais de cura no chamado Astral Superior. Infelizmente, também existem pessoas que abaixaram demasiadamente sua vibração em vida e, assim, por força de lei das densidades vibracionais, afundam em dimensões do Tritocosmos.

    A Morte é um Ser muito interessante; Ela se veste com um manto negro que cobre toda a cabeça, seu rosto é cadavérico e não dá pra ver os pés, carrega nas mãos uma gadanha que utiliza para cortar a conexão entre o Corpo Humano e a Instância Energética do Ser. Esta conexão é conhecida pelos místicos como cordão de prata. Este procedimento impede a reentrada do Corpo Astral no Corpo Físico. Assim como, também, o Corpo Vital fica impossibilitado de revitalizar o Corpo Físico.

    Tive a honra de entrar em contato com Ela, pela primeira vez, no ano de 2003, quando veio visitar um colega. Estávamos praticando meditação juntos, quando Ela se aproximou. Ao perceber sua presença, comentei:

    - Você viu quem chegou?

    Meu companheiro de meditação abriu os olhos e perguntou:

    - Quem?

    Ele não havia percebido, então falei:

    - Veja, é a Morte. Ela está aqui!

    Em nossas sessões matinais de meditação, todas as quintas-feiras, era comum termos contato com os mais variados seres, aprendemos muito neste período. Porém, nunca havíamos tido a honra de falar com a própria Morte.  Visto que Ela não estava ali, naquele momento, para exercer seu ofício, deixou a gadanha de lado e tirou sua vestimenta. Então, pudemos conhecê-la realmente, sem sua roupa de serviço! A Morte se apresentou para nós como uma linda menina, uma criança de uns 6 anos, muito doce e gentil; foi uma visão extraordinária. Com um sorriso fácil no rosto, Ela se mostrou disponível para um diálogo conosco, então perguntei:

    - Oi... A que devemos a honra da sua presença?

    Ela respondeu:

    - Vim lhe avisar sobre ele.

    Ela estava se referindo ao meu colega de meditação, que naquele ano completaria 67 anos. Ela continuou:

    - O tempo dele está acabando, mas ainda é possível fazer um ajuste. Ele precisa mudar de oitava.

    Compreendemos imediatamente o que a Senhora Morte nos falava. Em 2003 foi o ano em que eu havia feito a experiência do Jejum Consciente, um processo de 21 dias que gera uma alteração em nosso padrão vibracional, produzindo uma mudança de oitava. Este procedimento gera uma quantidade expressiva de energia que pode alterar certos padrões mentais, certas programações embutidas em nossas células, inclusive, em alguns casos, a programação da Morte. O que a Senhora Morte gentilmente nos comunicava era que, caso meu colega quisesse, poderia prolongar seus anos de vida fazendo o mesmo processo que eu havia feito, também conhecido como Jejum Consciente ou Processo dos 21 dias. Esta informação foi depois confirmada, para ele, por outra pessoa de sua mais alta confiança, o que o levou a fazer o processo do Jejum Consciente, alguns meses depois. Este colega está vivo até hoje.

    Esta experiência extraordinária nos mostrou que a Morte permite negociações com relação ao tempo de Vida que temos para ocupar um Corpo Físico Humano. Outra conclusão importante se refere às programações que estão enraizadas em nossas células. Ao que tudo indica, se não acionarmos nosso “Poder” de transformação interior, seguiremos, inevitavelmente, e de forma inconsciente, programações pré-estabelecidas no momento da nossa concepção. Segundo nossas pesquisas, nosso tempo de Vida natural em Corpo Humano é determinado por duas formas de energia distintas: uma que recebemos de nossos pais no momento da concepção, a chamada energia ancestral, e outra, que já trazemos conosco, vinda do princípio reencarnante.

    Considerando que uma pessoa não tome atitudes suicidas, tais como: beber em excesso, fumar, usar drogas, comer de forma desproporcional aumentando exageradamente o peso ou, ao contrário, privar o corpo da alimentação necessária, viver perigosamente a ponto de perder a Vida em acidentes, ou seja, descartando as situações que podem ser evitadas, podemos associar o tempo de Vida de um Corpo Humano às energias de base que citamos acima. Porém, também é possível gerar energia ao longo da Vida, favorecendo uma Vida longa e saudável. Como descrevemos no começo do artigo, quando adormecemos, o Corpo Vital entra em ação para revitalizar o Corpo Físico. Como já sabemos que o Corpo Vital tem sua vibração principal, ou acento vital, localizado nos quadris, principal ponto de formação das novas células do corpo, podemos energizar nossos quadris, favorecendo, assim o trabalho do Corpo Vital e, por consequência, o Corpo Físico. A energização dos quadris é uma questão sexual, quando atuamos nesta área com consciência, sem perdas de energia, transformamos nosso corpo em um dínamo. Desta forma, acumulamos “Capital Cósmico” dentro de nós, que pode ser usado para prolongar a vida. Foi isto que a Senhora Morte nos ensinou naquele dia.

    No Universo, desde a mais ínfima partícula até a mais gigantesca galáxia, tudo é movido a energia. O uso consciente da energia é que determina quem nós somos diante dos outros seres do Grande Universo. Caso desperdicemos nossas energias, somos considerados criaturas ignorantes e medíocres diante dos olhos dos seres mais evoluídos. Percebemos que alguns destes seres espirituais-espaciais até nos olham com certa complacência, mesmo não falando nada; suas expressões nos dizem claramente o grau da nossa ignorância.

    Hoje, muitos de nós interpretamos a Morte como um momento traumático, de desespero, choramos a perda do ente querido. Porém, nem sempre foi assim. Em uma outra época, a Morte era uma benção para aqueles que estavam cansados da experiência com um Corpo Físico. Antes da queda Adâmica, na antiga ilha Lemuriana, podíamos escolher o dia da nossa Morte, nos despedíamos dos entes queridos e caminhávamos floresta adentro, escolhíamos uma bela sombra, em uma daquelas árvores enormes que existiam por lá, nos recostávamos em seu tronco e apenas saíamos do corpo. A Senhora Morte se aproximava e gentilmente nos perguntava:

    -   É isto mesmo que quer, meu filho?

    - Sim! (Respondíamos agradecidos por sua amada e misericordiosa presença)

    Então, Ela nos concedia o direito de deixar permanentemente aquele Corpo Lemuriano. Os seres que desempenham o papel da Morte têm, em seu currículo de desenvolvimento espiritual, a Virtude da Misericórdia. São seres evoluidíssimos espiritualmente. A vibração que eles emitem é tão intensa e amorosa que é raro sintonizá-la sem derramar lágrimas.

    Este é um momento precioso para entendemos o papel que a Morte representa para nós. Quando nos afastamos dela, nos tornamos pessoas medrosas, supersticiosas, verdadeiros misticóides. Chegamos ao extremo de ser arrogantes, prepotentes, orgulhosos, nos afastamos da nossa verdadeira natureza e então nos esquecemos de que, nesta dimensão ou instância de manifestação do Ser, somos criaturas mortais.

    Há alguns anos, percebi este movimento psicológico em mim mesmo e resolvi fazer as pazes com a Morte. Comecei a pensar na Morte e no seu significado para mim. Depois de algumas horas em sintonia nestes pensamentos e sentimentos, entrei em meditação e tive a honra de recebê-la novamente. Ela chegou sem sua roupa de ofício, já que não era minha hora de partir, o que fiquei aliviado, claro. Sua presença me causou muita emoção, senti os olhos arderem e as lágrimas desciam sem controle, então falei para Ela:

    - Mãe Morte, quero fazer as pazes com a Senhora!

    Ela me respondeu com muito amor:

    - Você é um filho muito querido!

    Recebi sua benção em meio a muitas lágrimas, realmente fiquei muito emocionado. Desde então, me sinto muito tranquilo com sua presença. O Amor e a Misericórdia que Ela transmite transpassa nosso Ser como um raio dourado, iluminando tudo em seu caminho. Não existe nada igual a sua presença. O aconchego em seu seio é algo indescritível. Convido você, caro leitor, a fazer esta experiência transcendental e, assim, despertar a consciência para o esplendor e alegria que surge deste contato íntimo com uma parte do seu próprio Ser. Um contato assim nos torna uma pessoa diferente, revalorizamos tudo em nossa vida, vemos tudo com outros olhos.  Ver a Morte frente a frente faz a Vida fazer sentido em seus mínimos detalhes.

    Para concluir, quero evidenciar que a Morte pode agir em nós sem que percamos o Corpo Físico: trata-se da Morte Psicológica ou Mística. Este tipo de Morte em Vida é algo magnífico, um processo da mais alta espiritualidade. A Morte Psicológica nos liberta da prisão do elemento denso e suas egrégoras de manifestação. Em nós, existe um Poder extraordinário, com característica feminina, por isto a chamei de “Mãe Morte”, que nos auxilia em nossa regeneração, que nos conduz em nosso processo de Ascensão Espiritual. Ela já foi chamada por muitos nomes ao longo da história da Humanidade; de fato cada um pode chamá-la como quiser, o importante é saber que Ela existe e que está dentro e fora de nós, aqui e agora!

    O Poder Feminino proveniente do nosso próprio Ser, que ficou conhecido entre os místicos como “Mãe Divina”, pode exercer o poder de libertar-nos das prisões psicológicas criadas pelo elemento denso e suas egrégoras de manifestação. Entendemos que o primeiro passo é fazermos as pazes com a Morte e invocá-la, para nos auxiliar com seu Amor e sua Misericórdia, sempre que precisarmos morrer em nós mesmos.

    A Morte em Vida corresponde à liberdade que tanto almejamos, fica evidente que quem morre neste processo é o elemento denso, também, chamado ego. Quando o ego morre, nós renascemos, despertamos para novos estados de consciência, alcançamos e sintonizamos outros padrões vibracionais do Ser que Somos. Ao passo que eliminarmos as vibrações animais que adquirimos ao longo da nossa jornada de nascimentos e mortes neste planeta e, consequentemente, nos desvincularmos das egrégoras de manifestação ligadas ao elemento denso, conquistaremos o direto de sermos assistidos por nossos “Irmãos Cósmicos”. Nas palavras de São Francisco de Assis: “pois é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado, e é morrendo que se vive para a vida eterna”.

 

04 de dezembro de 2016.

 

 

 

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