Decepção

22-07-2015 17:20

  

    O mundo está programado para nos decepcionar. Mesmo o melhor amigo um dia pode fazê-lo, mesmo a melhor tecnologia pode falhar conosco; o animal mais fiel, companheiro de todas as horas e inseparável, também pode nos decepcionar, nosso corpo um dia pode falhar, a mulher tão amada pode nos decepcionar. O homem, aparentemente honesto e fiel, pode falhar com sua esposa, com a sociedade. A decepção pode vir de diversas formas e provocar inúmeras consequências.

    A teoria mais maravilhosa e cheia de grandes argumentos filosóficos, matemáticos, humanísticos, místicos, tecnológicos, artísticos, religiosos, científicos, pode falhar e nos decepcionar. A decepção é uma constante nesta vida, está presente em menor ou maior grau de acordo as circunstâncias.

    Como surge a decepção?

    A decepção surge quando depositamos confiança em algo ou em alguém. Depositar confiança em algo ou em alguém é similar a fazer uma aplicação na bolsa de valores. É possível e bem provável que, a curto prazo, não percamos muito dinheiro, nem soframos grande prejuízo, porém, a longo prazo, as chances de lucro ou prejuízo são grandes. Podemos fazer a aplicação de confiança em uma pessoa, na tecnologia, na teoria da moda, na religião, no misticismo, em um animal de estimação, em um bem de consumo, no mercado financeiro, enfim, existem formas variadas de aplicar ou depositar nossa confiança, mas vale a pena? Por que fazemos isto? Por que aplicamos nosso capital, seja ele financeiro, emocional, intelectual ou espiritual, em coisas ou pessoas que podem nos decepcionar? Afinal de contas, o que é a decepção? Por que existe?

    Com relação à primeira pergunta, se vale a pena, de fato é uma pergunta muito interessante e a resposta é simples: não. Por que uma resposta tão seca e implacável como esta? Simplesmente porque o mundo está programado para nos decepcionar! Todas as coisas, animadas ou inanimadas que nos cercam, estão programas e tem em seu código fonte, a decepção.

    Mas então o que fazer? Como atuar? Como viver em um mundo pronto para nos decepcionar inevitavelmente a cada instante de nossa vida? Por que insistimos nisto que é totalmente ilógico e contraproducente? Qual a verdadeira razão da existência da decepção?

    A decepção é um instrumento do Ser para o aprendizado Humano. O Ser cria condições para o Humano compreender sua verdadeira natureza. O Ser colocar dentro e fora do Humano condições de falha, que o decepcionarão com certeza, mais dia ou menos dia, para que ele, o Humano, descubra “algo” que não falha, que não decepciona, que é digno de toda confiança.

    E o que seria este “algo” sem nome, que é digno de toda confiança, no qual podemos fazer todo nosso investimento emocional, intelectual, espiritual, etc? Se falarmos Deus, nosso artigo se restringirá aos crentes, aos religiosos, aos místicos. Se falarmos ciência, nossa ideia agradará aos céticos, aos materialistas; se falarmos filosofia, estaremos bem com uns e seremos taxados de ignorantes por outros. Então, como sair deste labirinto? Como propor uma solução para a decepção que elimine todas estas possibilidades de falha?

    O Ser compreende o Humano em todos os seus aspectos. O Humano é apenas uma fração do Ser em atuação. O Ser se reveste de um corpo humano e lhe dá condições de desenvolvimento. O desenvolvimento do Humano é gradativo e opcional. O mundo exterior é um reflexo do mundo interior. O mundo exterior, com suas infinitas possibilidades, permite ao Humano o autodesenvolvimento. O Humano sai do Ser e retorna ao Ser. O Humano sai do Ser como um embrião de alma, uma possibilidade, uma chispa, uma essência, um conjunto de valores capazes de fazê-lo retornar ao Ser como um mestre de si mesmo, como alguém distinto, alguém que se autoconhece, como alguém que é capaz de conhecer e compreender o Ser, e tornar-se um com Ele.

    Dentre os vários instrumentos de autoconhecimento produzidos pelo Ser para o Humano, está a decepção. No momento em que nos decepcionamos com todas as possibilidades que o mundo nos oferece, no momento em que percebemos que nada, nem ninguém à nossa volta é digno de confiança, no momento em que percebemos que o mundo está programado para nos decepcionar, surge o novo, a visão clarividente, a intuição de “algo” que não é do mundo, mas que está no mundo, o referencial, o ponto de apoio, enfim, o “algo” digno de toda confiança, neste precioso momento nós voltamos ao Ser. Nosso estado de consciência se expande e uma nova compreensão surge. Um insight se processa, uma iluminação, mesmo que momentânea, é produzida.  O Humano sai do Ser e retorna ao Ser.

    O Ser está no mundo, mas o Ser não é do mundo. O Ser está no Humano, mas o Ser não é “só” o Humano. O Humano é parte integrante do Ser. O Humano é uma possibilidade. O Mundo é uma escola, a decepção uma matéria, uma disciplina de estudo. O Ser cria possibilidades de estudo, de aprendizado para o Humano de forma a conduzi-lo para a compreensão de si mesmo.

    O Ser oportuniza crescimento integral de suas chispas de forma similar ao Pai/Mãe Humano que visualizam um futuro maravilhoso para seus filhos. O exterior é um reflexo do interior, o inferior é similar ao superior; o que acontece no mundo terreno é similar ao que acontece nos mundos não terrenos. O material é uma reprodução do espiritual. Os mundos não terrenos, ou seja, mundos que não são percebidos pelos nossos 5 sentidos convencionais (tato, olfato, paladar, visão e audição) são tão reais quanto este mundo em que temos nosso corpo atuando. Quando olhamos para o mundo tridimensional e supomos que é só o que existe, vislumbramos apenas uma fração do Ser, uma fração de Sua criação.

    O objetivo básico do Humano é encontrar formas de expandir seu campo de percepção/atuação/conhecimento, tornando-se capaz de compreender o Ser integralmente. Durante este processo de integração com o Ser, o Humano passa por diversas transformações, que resultam em seu autoconhecimento e aperfeiçoamento dos valores iniciais. Um dos itens do aprendizado é a decepção; ela existe com a finalidade de encontrarmos “algo” que não nos decepcione, “algo” perene, “algo” que não é deste mundo, mas que está neste mundo, que vive neste mundo, que é parte indissociável de nós, pois está dentro de nós mesmos. Este “algo” já recebeu muitos nomes ao longo da história humana. Cada cultura, cada povo em sua época, cada religião, cada escola iniciática e filosófica, cada agrupamento de Humanos com fins espirituais e transcendentais atribuiu um nome, uma característica, uma forma de entender e compreender o que foge ao sentido comum.

    O objetivo deste artigo é indicar um sentido, dar um norte em relação à compreensão da decepção. Os princípios de ação e reação são universais e válidos tanto para processos inorgânicos quanto orgânicos, ou seja, dentro de uma forma simples de ver, a decepção é a reação de uma ação produzida previamente. E qual seria esta ação? A de depositarmos confiança em pessoas ou em qualquer coisa deste mundo. Quando depositamos confiança em algo externo, alheio ao nosso Ser, seja lá o que for, corremos o risco de nos decepcionar mais dia ou menos dia. O que não é de todo ruim, pois assim descobrimos que a decepção existe e ela passa a ser uma matéria de estudo. A compreensão da decepção e sua consequente eliminação direciona nosso foco de volta ao Ser, transformando o que era desagradável em agradável, o que era defeito em virtude!

    Caro leitor, você já deve ter percebido que este artigo trata o assunto de uma forma instigante, o que é feito conscientemente e de propósito, portanto, o convidamos a refutar nossas ideias, a discordar delas, a inquirir profundamente sobre a verdade dos fatos aqui expostos. Certamente não encontrará a verdade em um pedaço de papel ou na tela de um computador. Leia este artigo com o espírito crítico de um investigador implacável que só se contenta com a verdade. A verdade é viva e vive dentro de você, de mim, de nós. A verdade é este “algo” que citamos anteriormente e que recebeu inúmeros nomes ao longo dos séculos da história humana. Se você já viveu uma decepção, então tem a chance de compreendê-la. Se a compreender, tem a chance de eliminá-la. Se a eliminar, tem a possibilidade de se reintegrar com o Ser. A reintegração é gradativa e opcional. De acordo com a nossa pesquisa e como percebemos o mundo atualmente, podemos associar a este processo alguns passos: saber, querer, ousar e calar.

    O que precisamos saber?

    Precisamos saber que, para que haja a integração com o Ser, é necessário aplicar energia. Precisamos saber que a integração com o Ser se dá pelo investimento desta energia, compreensão do investimento e posterior renúncia dos resíduos desagradáveis, ficando apenas com a essência. Que existe uma relação direta entre corpo/psique preparados e energizados com maior porcentagem do Ser integrado. Precisamos saber que o Ser semeia e colhe. É importante saber que o conhecimento flui por meio de Humanos preparados e aperfeiçoados que optaram conscientemente por servir de veículo físico à manifestação da Verdade. Precisamos saber que o corpo humano é muito importante, que a manifestação nesta dimensão física é imprescindível para se concluir o projeto, no que tange ao processo de integração/desintegração e resgate das partes outrora fragmentadas.

    O que precisamos querer?

    Precisamos querer nos reintegrar com o Ser. Para isto precisamos querer abandonar velhos vícios, velhas programações equivocadas, defeitos de caráter, implantes de ideias alheias, hábitos culturais retrógrados, conceitos religiosos equivocados, ideias filosóficas enrijecidas pelo tempo. Precisamos querer o aperfeiçoamento. Precisamos sentir o fluxo que fluir por meio do Ser.

    De que forma podemos ousar?

    Podemos ousar nos questionando em tudo, investigando cada conceito pré-estabelecido, eliminando a polaridade conceitual que existe entre bem e mal, certo e errado,   humano e

divino, material e espiritual. Podemos ousar fazendo o autorresgate das partes fragmentadas de nosso Ser, descobrindo assim como Ele se manifesta, qual Sua abrangência de atuação, qual o Seu potencial, qual o sentido da experiência física.

    Quando devemos nos calar?

    No momento em que descobrimos a verdade pura e cristalina em nosso interior. No momento em que não precisamos nos justificar para os outros ou para nós mesmos. No momento em que superamos a polaridade conceitual do certo e do errado, do bem e do mal. No momento em que conquistamos a integração total, o Humano, a personalidade com seu batalhar mental e emocional se cala, cessa e advém o novo, a verdade, “Aquilo” que não é do mundo, mas está no mundo, “Algo” diferente, consciente, puro. O calar, neste ponto, é para o Humano, pois chega a hora Dele falar, a expressão da Verdade, o “Eu Sou o que Eu Sou”. Este precioso momento é um estado alterado de consciência, é um estado de lucidez plena, que pode durar segundos, minutos, horas. Podemos associar este estado ao efeito de sincronia dos hemisférios cerebrais. Outra forma equivalente de representar este momento é dizer que estamos em fase com as instâncias superiores do Ser. Neste estado, material e espiritual se tornam uma coisa só, bem e mal viram ilusões mentais, certo e errado desaparecem, deixam de fazer sentido. Como não há o que falar quando se atinge este estado de consciência, nos calamos.

    Este artigo cita o “Ser” e o “Humano” em muitos pontos do texto. Para concluir, é interessante saber o que queremos dizer com estas duas palavras. Os Humanos somos nós mesmos, pessoas com corpo de carne e osso que vivem, sofrem, riem, comem, dormem, procriam, enfim, pessoas comuns. O Ser é muito distinto disto tudo; Ele não é uma pessoa, mas várias. Ele não está estabelecido em apenas um planeta, mas em vários. Ele não tem apenas uma forma, mas várias e mais, em certas dimensões nem forma tem. Quando uma pessoa diz: “O meu Ser é isto ou aquilo” ou ainda “eu tenho um Ser assim”, demostra profunda ignorância, pois uma pessoa não tem o Ser. O Ser tem a pessoa. O Humano é uma fração do Ser, uma extensão. De uma forma bem simples, apenas a título de metáfora, poderíamos associar esta relação entre Ser e Humano, tal como existe no sistema solar. O Sol é o senhor do sistema e tem seus planetas; sem o Sol não existe sistema, não existe órbita possível para os planetas e muito menos possibilidade de vida nos planetas. Intuímos que a relação entre o Ser e o Humano segue algo similar ao exemplo citado. O Ser anima o Humano, em outras palavras, Ele é vida que flui por cada átomo, por cada partícula subatômica, por cada célula, pelo corpo humano, pelo corpo planetário, pelo sistema solar, por toda a galáxia e além. Certamente, esta relação entre Ser e Humano pode produzir um bom tema para outros artigos.

    Concluímos este artigo indicando um caminho, uma possibilidade de aperfeiçoamento, uma forma que possibilite a reintegração com o Ser. Em nosso livreto intitulado SER – Sistema Energético de Resgate encontra-se a Lei da Renúncia e a Lei do Perdão. Se você é um buscador da verdade, leia e estude este livreto, aplique-o em sua vida diária este exercício prático da Renúncia e do Perdão, utilize, por exemplo, a Lei da Renúncia para eliminar a decepção e suas consequências desagradáveis. Utilize a Lei do Perdão para perdoar integralmente a pessoa que supostamente lhe causou uma decepção. A integração com o Ser é algo prático, vivo, consciente, é uma opção de momento a momento.

 

22 de julho de 2015.

 

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