Lúcifer

18-12-2015 18:41

    Em nosso artigo anterior, falamos do Ser e suas instâncias de manifestação. Falamos, também, da flor primordial que originou o multiverso (múltiplos universos) e que é e faz a ligação do nosso universo com a grande videira cósmica, a fonte da vida. Falamos que o Ser cria para si formas materiais, corpos ou casas, por assim dizer, e se estabelece nelas, desde as mais simples partículas subatômicas até grandiosas galáxias. O Ser cria e volta a criar constantemente em todos os níveis de manifestação.

    Cria partículas, estrelas, planetas e corpos humanoides similares ao nosso. Por meio de suas instâncias superiores, cria clones de si mesmo para desenvolver tecnologias apropriadas à dimensão específica de manifestação no sentido de terraformar planetas com vida vegetal, vida marinha, vida animal terrestre e por fim vida humanoide. A vida Humana tal como a conhecemos e vivemos hoje é resultado de numerosos séculos de experiências neste e em outros planetas que serviram de base para a formação do nosso mundo.

    Em geral, as colônias de Seres Espirituais-Espaciais, quando chegam ao local da experiência para gerar a vida corpórea em um planeta recém-terraformado, ainda não exercitaram a noção da individualidade. O comportamento destas sociedades Espirituais-Espaciais está mais próximo do referencial de grupo, mesmo os indivíduos tendo funções específicas dentro da estrutura, o status do coletivo sobressai ao status do indivíduo.

    Guardadas as proporções e fazendo uma analogia bem simples apenas para compreensão, podemos extrapolar o conceito destas estruturas Espirituais-Espaciais como se fossem uma colmeia de abelhas. O comandante é o responsável por todos e por cada ação dentro da nave que transporta os indivíduos da colônia espacial que, no nosso caso específico no que se refere à criação dos humanoides primordiais, veio com os engenheiros siderais citados nos artigos anteriores. Esclarecemos que o processo de colonização e experimentação da vida material pelos seres é dinâmico e não se resume à ancestral criação da humanidade neste planeta há milhões de anos.

    Muitos seres vieram depois da criação dos primeiros humanoides, processo este nunca interrompido. Mesmo hoje em dia, seres espaciais adquirem corpos humanos (fato conhecido popularmente como encarnação) para experiências de 10.000 anos, 5.000 anos, 2.000 anos e depois de ajustarem suas contas com o Árbitro, se retiram do sistema.

    Conhecemos um rapaz, há alguns anos, que era um recém-chegado ao nosso planeta. Ele estava em sua quinta experiência com corpo físico (encarnação) e mantinha contato direto com o Ser que o enviou e do qual ele é uma parte essencial. Tinha plena consciência que era um extraterrestre, ou seja, um ser espacial que estava aqui para ter experiência com um corpo humano. Conhecê-lo foi muito interessante, pois, através dele, se confirmaram nossas observações sobre o processo de entrada dos seres em nosso padrão vibracional planetário.

    Observamos com muita atenção a forma como o Ser modula sua vibração para se adaptar à densidade terrestre do corpo humano, o que podemos dizer, de antemão, é um grande desafio mesmo para seres espaciais evoluidíssimos espiritualmente.

    Quando o rapaz percebeu que nós, também tínhamos acesso às instâncias superiores do Ser, começou a nos questionar sobre todo o processo, mesmo ele tendo consciência de quem era e do que estava fazendo aqui; tinha indagações a respeito, pois se tratava de um adolescente de apenas 17 anos, cheio de dúvidas como qualquer outro da sua idade.

    Tivemos boas e esclarecedoras conversas durante vários meses. Uma das questões que ele me perguntou, vamos descrever neste artigo, pois é pertinente ao tema:

    - Professor (era como ele me chamava), posso lhe fazer uma pergunta que ainda não encontrei resposta?

    - Claro – respondi prontamente.

    - Quando olho para baixo, na direção do solo (só esclarecendo, ele era clarividente), vejo um homem totalmente negro, com roupas bem escuras, que me olha fixamente. O senhor sabe me dizer quem é?

    - Sei sim, ele é seu instrutor.

    - Como assim? - perguntou ele.

    Respondi a esta pergunta, esclarecendo sobre o processo de densificação que ocorre quando a instância espiritual se projeta na matéria, criando um processo de nascimentos e mortes, ou seja, vidas em corpo físico, que gera toda uma gama de experiências que, por sua vez, tem como consequência as diversas associações com as egrégoras e elementos densos presentes no planeta.

    - Bem, você ainda terá muitas experiências com corpo físico (encarnações) que o farão densificar cada vez mais dentro da materialidade terrestre e um dia o encontrará face a face. Ele é seu instrutor particular.

    Ele sabia que minha resposta estava certa, pois sua intuição lhe indicava isto; dava para ver em seus olhos a informação se encaixando em seu Ser. Porém, aquele rapaz, muito jovem, balançou a cabeça, indicando precisar de um tempo para assimilar a informação.

    E o que esta história tem a ver com o título do nosso artigo? Simples, aquele rapaz conseguiu visualizar seu Lúcifer particular, seu instrutor, seu professor individual. Eis algo que precisamos estudar em detalhes.

    As perguntas fundamentais que norteiam este artigo são: Quem é o Senhor Lúcifer? Qual sua função no planeta Terra? E, para nós Humanos, qual o significado deste Senhor? As respostas para estas questões ficam evidentes com os fatos vividos em uma experiência direta com este Senhor chamado Lúcifer.

    Em um dia de inverno de 2010, tivemos a honra de conhecer o Senhor Lúcifer e ficar face a face com Ele. Estávamos nos indagando por meses sobre questões que diziam respeito a nossa permanência e também a de outros seres no planeta Terra. Percebemos que mesmo com todos os esforços, um indivíduo consciente de si mesmo teria dificuldades para sair do planeta na hora em que bem quisesse. Também, estávamos prontos para iniciar um trabalho voluntário de abertura de arquivos com outras pessoas, que na época era o tema principal de nossa pesquisa, o chamado RESGATE.

    Como se tratava de algo novo, experimental, muitas indagações surgiram durante o processo. Estas questões se tornaram intensas, então resolvemos pesquisá-las em toda sua extensão. Apesar de não fazer qualquer tipo de invocação ou ritual, o Senhor Lúcifer veio nos buscar naquela noite de inverno e nos conduziu até sua morada, onde pudemos lhe entrevistar.

    Esta experiência ocorreu fora do corpo físico, prática conhecida como projeção astral, ou seja, um estado vibracional especial que ocorre durante o repouso do corpo físico, em que mantemos total lucidez mental e consciência da experiência em questão. O processo de projeção astral ou saída em corpo astral é comum para os Humanos, como descrevemos em artigos anteriores, porém a maioria das pessoas carece de consciência do processo. Quando o corpo entra em repouso e adormece, permite que a instância energética se desdobre, projetando nossa consciência em dimensões diferentes desta que chamamos mundo físico.

     Nesta viagem fantástica, estou acompanhado de um amigo.  Estamos sendo levados por um guia em meio às ruas escuras e desertas. Percebo que é madrugada; não vejo a lua, mas nosso trajeto está, de certa forma, iluminado. O clima é agradável, não tenho sensação de frio ou calor, muito menos percebo o vento, está tudo muito calmo e sereno.

    Nosso guia aparenta ser um homem grande e forte, pele branca e cabelos pretos, e nossa proximidade é grande; estou a praticamente alguns palmos de distância dele. Não consigo visualizar sua face, mas sinto que sua expressão é séria e compenetrada. Ele é um homem de poucas palavras, praticamente só fala a direção que devemos tomar, demonstrando-a, também, com gestos de mão. Chama a atenção, Ele utilizar constantemente a mão esquerda.

    Atravessamos uma avenida deserta com muitas árvores de grande porte dos dois lados. Mesmo sendo noite, é possível visualizar as dimensões e galhos frondosos pela pequena luminosidade emitida por postes no canteiro central. Suas dimensões e formato indicam que não são podadas regularmente, ou seja, não existe fiação suspensa em postes, provavelmente um local onde a fiação é subterrânea. Não reconheço o local e nosso destino permanece um mistério para mim. Meu acompanhante fica constantemente calado; também não consigo visualizar seu rosto, apenas sei que ele está ali, pois sinto sua presença.

    Nosso guia diz:

    - Por ali.

    Vejo sua mão esquerda indicar a direção que devemos seguir. Impressiona-me nossa proximidade e a leveza do nosso caminhar; de fato, parece mais que estamos flutuando do que andando. Viramos à esquerda na próxima esquina. Sinto-me compelido a agradecer-lhe pelo que está fazendo e sem olhar em sua face, já que estou a alguns palmos atrás, pronuncio, então, com todo respeito para aquele guia, as seguintes palavras:

    - Saiba que o admiro muito!

    Ele responde com voz firme e decidida, parecendo que meu sentimento de admiração não lhe faz diferença alguma.

    - Por quê?

    Mantenho minha posição de admiração e respeito e respondo prontamente:

    - Porque você me ensina muitas coisas.

    Nosso guia se cala e mantém o foco no que realmente interessa: chegar ao nosso destino final. Neste ponto do trajeto vejo uma igreja enorme e iluminada; posso ver sua torre que fica na parte da frente, bem como suas laterais. Por incrível que pareça, tão tarde da noite, ela está toda iluminada. A sua volta vejo uma espécie de jardim com grama e rosas, alguns arbustos próximos a uma estrutura pequena de pedra, da altura de um muro, só que mais largo. Olho fixamente no relógio da igreja, que tem como marcadores números romanos. Sua distância é grande, algo como uns cem metros; no entanto, quando minha visão consegue distinguir as horas, tenho a sensação de estar, no máximo, a dez metros dele. O relógio está todo iluminado e os ponteiros são de ferro de cor preta; ele é enorme e tenho a nítida impressão de estar flutuando bem à sua frente e, se comparado ao meu próprio corpo, os ponteiros são bem maiores do que eu.

    Neste instante, o relógio marca 10 minutos para meia-noite. Imediatamente após ver as horas, sigo com o grupo que caminha pelo jardim ao lado da igreja, próximo às estruturas de pedra que já tinha visto antes. Então, nosso guia pisa em uma pequena pedra no solo e ela se afunda levemente, fazendo um movimento de desce e sobe, parecido a um interruptor. Observo com muita atenção todo o processo e me passa pela cabeça guardar estas informações para um possível retorno àquele lugar.

    Posso dizer que as surpresas dessa jornada ainda estariam por vir, pois aquela pedra movida pelo nosso guia fez outra pedra maior se mover e uma espécie de alçapão surgiu a nossa frente. Uma pedra quadrada, que obstruía um buraco, desceu e deixou à mostra um espaço no qual mal cabia um homem adulto. O guia neste momento se pronunciou:

    - Vocês devem fazer o sinal da cruz com a mão esquerda.

    Causou-me grande estranheza este ato, contudo, decidido a ir em frente, aceitei prontamente a orientação. Ele então fez o sinal da cruz tal como é feito normalmente, só que com a mão esquerda. Para não me equivocar no processo, perguntei:

    - Tem que falar alguma palavra?

    Ele responde rapidamente, apresentando um semblante muito sério e compenetrado:

    - Não!

    Preparei então o meu dedo indicador esquerdo para começar o sinal da cruz e mostrei para ele, perguntando:

    - É assim?

    Ele me responde de uma forma que jamais poderia esperar naquele momento. Seus olhos e feições indicam uma forma firme. Para um rosto de uma pessoa comum, poderia dizer tranquilamente que ela estaria muito brava com aquela expressão tão forte, entretanto, ele não é nem de longe uma pessoa comum. Mostrando o seu dedo indicador esquerdo ele diz:

    - Você tem que atacar!

    Entendi que era para que eu fizesse o sinal da cruz com o dedo indicador esquerdo reto e apontando para os pontos chaves. Assim, fiz o sinal começando pela cabeça, bem na testa, descendo até os órgãos genitais, depois subindo e cruzando para o ombro direito e finalizando para o ombro esquerdo. Meu companheiro de viagem foi o primeiro; sem pestanejar, projetou-se para o buraco e em seguida, o guia retornou, ficando ao meu lado, indicando, sem falar, que agora era a minha vez.

   Posicionei-me em frente ao buraco que tinha o formato quadrado e comecei a descer devagar, escorregando pela terra, apoiando meu peso somente nos braços. Nosso guia me surpreendeu com uma fala um tanto enigmática:

    - Vamos torcer para que você tenha energia para manter-se aí!

    Não tive muito tempo para pensar no que ele quis dizer com aquilo, pois minha cabeça já estava penetrando a escuridão e não havia mais apoio acima. Então, senti a presença de uma argola maleável a minha frente. Parecia feita de corda; apoie-me nela e penetrei em definitivo no buraco escuro. Ao soltar a argola, toquei no chão. O salto me pareceu pequeno, mas foi o suficiente para, ao tocar o solo em meio a uma escuridão total, cair sentado no chão.

    Para minha surpresa, algo se aproxima de mim rapidamente; não via absolutamente nada a minha volta. Não senti medo em nenhum momento, apenas aguardei o que aconteceria em seguida. Como os outros estavam demorando, gritei:

    - E eu, fico aqui?

    Nosso guia responde através do buraco, a uma distância que, aparentemente, era pequena:

    - Sim, você fica.

    Pude intuir por suas palavras que eles já estavam descendo e me tranquilizei com relação a estar sozinho ali. Pude perceber algo peludo ao meu lado, mas tudo ainda estava muito escuro. Fiz um esforço para me concentrar e adequar meu padrão vibracional com aquele ambiente. De repente, tudo ficou claro como dia e a tal coisa peluda era um cão, que começou a lamber o meu rosto, indicando estar feliz da vida em me ver. Ao vê-lo, reconheci-o imediatamente:

    - Cérbero!

    Sim, o tal buraco me fez descer ao inferno e o cão que vigiava a entrada me lambia sem parar, demonstrando já me conhecer de longa data e se mostrando muito receptivo. Para mim, ele se mostrou um cachorro comum, nada daquela história de três cabeças. Um cão muito grande, magro e comprido.

    Vi também, ao fundo, outro cão de cor preta. Ele também se mostrou muito feliz ao me ver, olhou-me fixamente e abanou o rabo. Só que este estava acorrentado à uma distância de, pelo menos, 10 metros da abertura (hoje, depois de outras experiências neste ambiente, sei que o segundo cão era, na verdade, uma fêmea). Dei alguns passos dentro daquele ambiente que nada tinha de estranho. Assemelhava-se a uma residência comum e o local onde estava mais parecia uma garagem subterrânea. Com o ambiente bem mais claro, posso notar os detalhes na parede. Tem algo escrito em preto e vermelho, algo que mais parece uma pichação; contudo, não consigo decifrar o que está escrito.

    Observo que, logo abaixo das escritas, há uma bicicleta de quadro amarelo. Ela tem a aparência de uma Caloi 10 com pneus finos. No entanto, para minha surpresa, ela tem duas correntes, uma de cada lado do quadro. Ao virar-me, dou de encontro com um menino bem pequeno, talvez de uns quatro anos de idade e de cabelo loirinho e curto, com um rosto redondo e muito bonito. Paro por um instante de admirar a bicicleta e lhe pergunto:

    - Então você é o Júnior?

    Ele apenas sorri e, com algo na mão, sai para brincar ali por perto. Volto minha atenção novamente para a bicicleta. Agora, a pego na mão para ver melhor seu funcionamento. Sustentando-a com uma mão, dou algumas voltas no pedal para ver a roda traseira girar. Seu funcionamento é incrível, difícil de explicar, já que a corrente passa pela catraca e dá uma volta a mais sobre ela mesma, invertendo seu sentido de giro. Nosso guia se aproxima e me observa com um ar de disponibilidade para explicar o que era aquilo. Logo pergunto:

    - Incrível! Quantas catracas há atrás?

    - Vinte e uma.

    Responde ele, com um ar de satisfação ao me ensinar aquilo. Apesar de sua expressão facial estar mais leve agora, ainda não o vi sorrir. Em meio à outra pedalada, pergunto:

    - E na frente, quantas são?

    - Quatro. Ele responde.

    Sua resposta se traduz em uma conta no meu cérebro: vinte e uma atrás vezes 4 na frente dá 84 possibilidades de combinação de marcha que, por incrível que pareça, se torna em minha mente o número 48 (hoje sabemos que este número e as duas correntes na bicicleta fazem referência à estrutura do DNA). Ele confirma com a cabeça que minha conta estava certa (esclarecemos que os números têm uma codificação própria na dimensão astral e servem como informação preciosa quando pesquisamos outras instâncias de manifestação do Ser). Dirigimo-nos, então, para uma espécie de área e nos sentamos confortavelmente em cadeiras de varanda. Ali, sentado, começo minha entrevista com Ele que, até aquele momento, era nosso guia, mas que, a partir daquele instante, seria muito mais do que isto.

    Com todo respeito, me dirijo àquele Senhor com minha primeira pergunta:

    - Senhor, como devo chamá-lo?

    - Lúcifer. Responde ele, inclinando o corpo para frente.

    Continuo:

    - Nossa conversa pode continuar de forma informal ou devo utilizar termos formais?

    Fiz esta pergunta pensando se deveria chamá-lo de excelência ou algo assim, afinal ele é o senhor daquele mundo onde eu estava naquele momento. Achei que, como estava ali para entrevistá-lo, estas eram formalidades importantes. Ele responde de forma tranquila e despreocupada:

    - Informal.

    Tranquilizei-me em relação aos termos e fui direto ao que interessava, afinal, eu estava entrevistando Lúcifer em pessoa. Prossigo então com a seguinte pergunta:

    - Senhor, o que acontece se um extraterrestre resolver entrar no planeta, viver umas quatro ou cinco existências físicas (encarnações) com corpo físico e depois querer ir embora?

    Ele balança a cabeça de um lado para o outro, dando a entender que a resposta era óbvia.

    Neste momento, se aproxima uma mulher clara de rosto muito bonito, com uma bandeja de prata na mão trazendo alguns petiscos para os presentes. Uma beleza clássica, eu diria, rosto redondo e cabelo encaracolado preso atrás por uma presilha ou algo parecido. Ela sorri para mim, já que também escutou a pergunta e parece pronta a responder pelo seu marido. Bem, esta é uma dedução minha, já que não fomos devidamente apresentados desta forma, mas dava a entender que ela era a mulher dele. Que coisa intrigante, não é mesmo, Lúcifer ter uma esposa. Para mim, foi totalmente inesperado.

    Ali estavam presentes outras pessoas que ouviam minhas perguntas sempre em silêncio. Não sei precisar o número, talvez umas cinco pessoas. A nossa frente (frente da varanda) se apresentava uma visão de fazenda; a imagem se formava como em uma tela de cinema em 3D. Consegui visualizar um pequeno pasto cercado com arame farpado, animais e árvores ao longe e, apesar de termos chegado ali à noite, a visão era de um dia claro.

    A mulher com rosto descontraído e aparentemente achando graça da minha pergunta, indicando que eram perguntas muito simples de responder, como se fossem perguntas que uma criança de 5 anos faz ao seu pai, e este, de forma amorosa, responde da melhor forma possível para que ela compreenda. Então, fixando naquele sorriso, mas sem entender nada, expressei pelo meu olhar que gostaria que ela me respondesse, o que fez prontamente:

    - Acho que o Árbitro não o deixaria sair.

    Na minha cabeça, a palavra árbitro soou como juiz, já que a terminologia do futebol é muito presente na minha cultura de brasileiro.  

    Minha pergunta seguinte já estava pronta e seria assim: Como é possível este tal árbitro segurar um extraterrestre no planeta? O que é esta força? Todavia, para minha surpresa, aquela imagem de campo logo a nossa frente deu lugar a uma fachada de uma casa comum dentro de um bairro de uma cidade. À frente da varanda havia uma rampa e, ao final dela, uma grade de metalon branca. A rua era asfaltada e havia uma casa bem em frente. Diante deste fato inusitado, mudei minha pergunta para:

    - Afinal de contas, onde é o inferno? Nós descemos para chegar aqui, agora vejo o meio de uma cidade!

    A resposta veio de Lúcifer e foi surpreendente.

    - Ele está abaixo (da superfície terrestre), mas também está em alguns pontos acima na superfície, dependendo da sintonia energética e densidade vibracional das pessoas.

    Ele segue explicando:

    - Quando as pessoas baixam sua vibração, elas já estão no inferno sem saber. É assim nos pontos de distribuição e consumo de drogas, por exemplo. Ali, se torna uma espécie de ilha dimensional do inferno na superfície, gerada pelas próprias pessoas e seus atos. Assim, naves vão até os locais para projetar o estado vibracional das drogas (que induz um processo extrafísico de manipulação da energia e consciência das pessoas que consumiram a droga na dimensão física).

    Conforme aquele senhor ia me explicando, passava na tela 3D a nossa frente todo o processo. Vi as tais naves projetando a frequência vibracional que aquelas pessoas buscavam com as drogas, seu desespero em consumir aquilo o mais rápido possível e penetrar nas infradimensões ou dimensões infernais, que também podemos classificar como estado alterado de consciência proporcionado pela sintonia com vibrações extremamente densas. Certamente, este é só um exemplo dos atos humanos que podem provocar distorções vibracionais capazes de trazer o próprio inferno (ou sua sintonia vibracional) à superfície terrestre. Já refeito desta resposta extraordinária, retornei ao exemplo anterior:

    - Caro senhor, voltando ao nosso exemplo anterior, sobre o extraterrestre. Seria possível detê-lo em sua vontade de sair do planeta, mesmo ele sendo um gigante verde de quatro metros de altura?

    Não tenho a menor ideia da onde saiu esta história de “gigante verde de quatro metros de altura”. No entanto, a resposta dele foi muito interessante e coerente. Ele se levanta e, com voz firme e decidida, olha para o horizonte:

    - Pouco me importa se ele tem quatro metros de altura. Minha função é apaziguar estas almas.    

    Neste momento, olhávamos da varanda para uma rua; pessoas chegaram à porta de sua casa, de carro. Vi pelo menos dois homens descendo do carro e deixando uma espécie de encomenda na calçada. Tive a impressão de ser um saco grande de cor clara. Juntamente com esses homens, desceram duas meninas bem pequenas de quatro ou cinco anos que pareciam gêmeas. Aquele senhor, que respondia minhas perguntas, expressou felicidade ao observá-las, dizendo:

    - Minhas menininhas!

    Neste ponto já estávamos na rua e íamos em direção aos homens para conversar com eles. Senti que meu tempo ali estava acabando e aproveitei meus últimos instantes para lhe perguntar:

    - Senhor, que tipo de força é capaz de segurar um extraterrestre no planeta? Seria ela eletromagnética ou atômica?

    Internamente me vinham imagens das forças em questão. Visualizei o átomo e seus elétrons, depois o núcleo atômico e suas partículas. Por fim, deduzi que ainda era pouco; deve ser então forças do mundo quântico. Apesar da minha ânsia pela resposta, seguimos caminhando em direção à rua e nos aproximamos dos homens.

    O Senhor Lúcifer começou a conversar com eles, mantendo certa distância de mim. Senti que não teria aquela resposta tão importante; meu tempo estava no limite. Apesar de não ter relógio, sentia que logo teria que ir embora e deixar aquele lugar misterioso. Aguardei pacientemente que a conversa acabasse, para tentar uma última tacada. Os segundos de espera pareciam horas. Então, houve uma brecha e me aproximei, já com a pergunta na ponta da língua:

    - Então Senhor, a força que mantém um extraterrestre na Terra após algumas vidas em corpo físico só pode ser de ordem quântica, certo?

    Ele me olha, virando o rosto com uma expressão de satisfação e levemente esboçando um sorriso de canto de boca, e me diz de forma definitiva:

    - É a ação!

    Finalmente tinha minha resposta, mas como entendê-la? Como assimilá-la? Sim, sim, a ação! Gritei para mim mesmo. Para cada ação existe uma reação correspondente, portando, são estas ações que prendem o indivíduo, já que elas geram reações. Por outro lado, existem ações libertadoras. Concluí, também, que é possível rever tais ações passadas, modulando e equalizando suas vibrações de tal forma que deixam de alimentar as reações. Entendi que esta era uma forma de se ter passe livre com o Árbitro.

    Concluímos este artigo indicando o elemento denso, um dos objetos do nosso estudo, como a reação das nossas ações que, em sua maioria, ao longo da nossa história humana, se mostraram inconscientes e inconsequentes.

    Quando geramos ações que conduzem nossa energia e consciência no sentido de aumentar nossa densidade vibracional, alimentamos o elemento denso. O elemento denso, assim fortalecido, nos oferece mais e mais oportunidades de produzir ações para densificar ainda mais nossa vibração. Este processo se torna um círculo vicioso, inchando as egrégoras e densificando vibracionalmente o ambiente.    

    Quando toda uma população humana está em sintonia com as vibrações densas, já não percebe mais este movimento do elemento denso e das egrégoras, tornando-se cativa física, emocional e mentalmente da vibração ao qual está sujeita.

    Sendo assim, nossa percepção de inferno é muito distinta da visão místico-religiosa. Para nós, uma pessoa pode produzir ações que se traduzem em vibrações com estados psicológicos que direcionam sua consciência para dimensões paralelas (densas ou sutis) da realidade, sem sair da dimensão física.

    Para nós, o inferno não é um local mas, sim, um estado denso de vibração que vincula e determina estados físicos e psicológicos, onde a percepção da consciência é condicionada e limitada. Usando a mesma lógica, paraíso, céu, mundos superiores, nirvana são estados de vibração sutis onde a percepção da consciência é expandida e temos mais clareza de quem somos e das instâncias de manifestação do Ser.

    Para se chegar à materialidade tal qual vivemos hoje, foi necessário gerar uma espécie de artifício, uma condição totalmente contrária à espiritualidade primária de onde viemos, no entanto, fruto da mesma.

    Foi necessário fazer uma projeção de nós mesmos das instâncias superiores do Ser para as instâncias inferiores, criando um espelhamento. O reflexo do Ser na materialidade é o Senhor Lúcifer, nosso instrutor particular, o apaziguador de almas, o professor dos professores. Portanto, o Senhor Lúcifer é uma parte do Ser com uma função importantíssima; nos conduzir ao conhecimento de nós mesmos em todas as instâncias de manifestação. Conhecê-lo é uma honra que nos permite a oportunidade de aprender como o jogo da vida funciona. Aprendendo as regras de funcionamento deste sistema planetário, entendendo que o processo de ação-reação pode nos vincular à determinada egrégora, gerando elementos densos dentro de nós, podemos nos libertar e transcender todo o processo. O êxito vem com a geração de ações que anulem as reações recorrentes do nosso passado, e com uma conduta coerente com nosso objetivo em nosso presente. Entendemos que o RESGATE é uma forma válida de equacionar e modular vibrações recorrentes do nosso passado, transformando o nosso presente e, consequentemente, o nosso futuro e, assim, adquirir passe livre com o Árbitro, o Cristo Íntimo.

 

18 de dezembro de 2015.

 

 

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